domingo, 24 de abril de 2016

Vale do Jucá - Siba e a Fuloresta

Era um caminho
quase sem pegadas 
onde tantas madrugadas 
folhas serenaram 
era uma estrada
muitas curvas tortas
quantas passagens e portas
ali se ocultaram

era uma linha
sem começo e fim
e as flores desse jardim
meus avós plantaram

era uma voz
um vento, um sussurro
relampo, trovão e murro
nos que se lembraram
uma palavra quase sem sentido
um tapa no pé do ouvido
todos escutaram

um grito mudo
perguntando aonde
nossa lembrança se esconde
meus avós gritaram.

Era uma dança
quase uma miragem
cada gesto
uma imagem
dos que se encantaram

um movimento
um traquejo forte
traçado, risco e recorte
se descortinaram
uma semente no meio da poeira
chã da lavoura primeira
meus avós dançaram

uma pancada
um ronco, um estralo
um trupé e um cavalo
guerreiros brincaram
quase uma queda
quase uma descida
uma seta remetida
as mãos se apertaram

era uma festa
chegada e partida
saudações e despedida
meus avós choraram. 

Onde estará
aquele passo tonto
e as armas para o confronto
onde se ocultaram
o lampejo da luz estupenda
que atravessou a fenda
e tantos enxergaram

ah! se eu pudesse
só por um segundo
rever os portões do mundo
que os avós criaram.

2 comentários:

Anônimo disse...

A primeira que ouvi.

DANIELI DE CASTRO disse...

Muito linda esta canção!