terça-feira, 24 de março de 2026

O silencio dos oprimidos


 

Animus Mundi ou Kasper

As paredes do meu quarto 
escutam o choro do poema 
triste que eu escrevi 

ao lembrar de minha mãe

e o poema também trouxe versos 
da tristeza de meu pai 
por não ser forte o suficiente para me proteger

os meus sapatos escutaram o pranto 
que nunca caiu dos meus olhos 
mas que sempre apertaram o meu coração... 

meu paletó anda triste e solitário 
chorando um luto que eu nunca 
quis olhar... 

aquele menino triste 
só queria se sentir protegido 
num mundo tão hostil... 

mas, não me permitiram sentir 
então meu paletó fica pálido, cinza
mofado... 

mas, não chora. 

Danieli Casimani 

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Praia do Farol da Barra

 É como um afago 

Nas 

pedras 


Na pele 

No pelo 

Na Alma. 


Danieli Casimani 

quinta-feira, 29 de maio de 2025

Os fluxos e os fluídos

Perdi a frase no meio 

No meio da fumaça 

Onde escrevi seu nome  


A arte interrompeu o ato 


No sonho era uma mulher e um homem 

Um encontro de almas 

Um cotidiano gentil 


Mágico... 


Talvez aí se encontre 

o mistério 

da esfinge... 


Depois chorei de gratidão 

Ao compreender o gesto 

de fato... 


E antes disto ainda haviam 

dois atos... 


De fato foram subversivos 

juntos... rompendo manhãs 

Noutras dimensões... 


Nos portais que se abrem 

silenciosamente 

Sobre o mar...


Os fluxos e os fluídos 

Do aconhego do mar 

da Bahia... 


Danieli Casimani 

terça-feira, 6 de maio de 2025

Pontal do Atalaia, te extraño Arraial do Cabo


 

Linda

 Vi os corpos 

Sangrando pelo corte

Fino e rápido da sua espada. 


Rapidamente meus olhos 

Se puseram no chão... 


Sabia a minha pele já 

A dor da morte rápida e inaudível

No meio daquela solidão... 


Inesperadamente olhei para cima

E ao olhar nos teus olhos

Meu corpo todo estremeceu


Mas, não era medo 

O que eu sentia... 

Era frio... 


Sem que pudesse pensar 

Qualquer coisa, senti o vento leve

Da sua espada caindo de ponta 


Por detrás do meu corpo

E pensei que talvez morrer 

Fosse algo indolor e inútil... 


Não mudava nada... 


Mas, ouvi sua voz grossa e rouca

Dizendo ao olhar nos meus olhos:

Você é muito linda... 


E no seu olhar havia uma 

Profunda

Tristeza... 


Me levantei instintivamente

E corri compreendendo que ainda 

Estava viva... 


Você me salvou... E me beijou 

Depois 

Bem depois... 


Danieli Casimani

terça-feira, 12 de novembro de 2024

Saudades, São Vicente!


 

Meu filho

 Quanto fala o silêncio 

Enquanto as borboletas voam

E as cigarras cantam?


Quanto a energia muda 

Circundante e magnética 

Empreende castelos de forte 


Proteção? 


Sonhei sonhos de despertar

Correndo... E mesmo assim

Te amei como a um filho


A um grande irmão 


Sou tão sensível 

Que choro ao ler meus próprios poemas

Que esqueci ter escrito algum dia... 


E que falam da parte mais amorosa

E dramática e leonina e criativa de mim. 

Um fogo aceso ardendo em paixão pela 


Arte de viver bem a vida. 

De desfrutá-la do início ao fim 

Seja na dor e sobretudo que seja 


Sempre no amor! 


Pois assim decidi, planejei

E venho me dedicando 

A esta concretização. 


Só gratidão. 


Danieli Casimani