Sou eu

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Descobrindo meus ângulos, meus brihos internos...

domingo, 25 de setembro de 2011

Ponyo

Peteca

O vento canta a melodia dos pássaros
Na cama um sonho brinca no meu rosto...
A chuva logo chega...

A chuva brinca no telhado!
Chega o sol e acaba com as nuvens...
O mundo canta a melodia do tempo

Rostos e mãos se afastam
há um sono nas gentes:
A brincadeira acabou...

E a gente nem cresceu o suficiente...
ainda.

Melancholia

" Nós estamos sozinhos..."

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Kiriku e a Feiticeira

João e Maria - Chico Buarque e Nara Leão


Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês
Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?

Spider Lilies

Morte

a flor amarela
se abriu...

a noite chegou
faz frio. 

a brisa se tornou 
ventania:

matou a flor amarela 
toda despetalada 
nua

a flor se esvai lânguida
soprada 
pelos lábios do vento...

desflor...

calma e feliz por sua morte 
um relaxamento de ser... 

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Confira toda a programação aqui

Maiores informações clique aqui


Inscrição de artes de rua
para a Virada Cultural 2012

A Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo convoca artistas e grupos que desenvolvam trabalhos artísticos em espaço aberto à circulação pública ou em locais alternativos (sem as comodidades presentes no palco italiano, nas salas de show, no picadeiro circense ou no teatro de arena) a trazerem propostas de encenações, performances, demonstrações e exibições para ocupar as ruas do centro da cidade durante as 24 horas da Virada Cultural 2012.
Todas as disciplinas artísticas são bem vindas, porém não iremos receber por este canal propostas de apresentação musical em palcos.
A data precisa da Virada Cultural 2012 ainda não foi definida por nossos astrólogos. Como sempre, ela ocorrerá das 18h de um sábado até as 18h do domingo. Costuma cair entre março, abril e maio.
Aceitamos propostas de grupos sediados em qualquer lugar, não apenas em São Paulo. O interesse da proposta e seu custo serão sempre avaliados na seleção, dentro das possibilidades orçamentárias do evento. Inclua todos os custos envolvidos, inclusive transporte, na rubrica “Cachê colocado”, na ficha abaixo.
Em caso de dúvida, escreva para inscricoes@viradacultural.org.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Life in the universe

Adeus Pavão Dourado

Adeus pavão dourado
Bateu asas e avoou
Pousou na laranjeira
Larajeira embalançou
Adeus Pavão Dourado
Adeus Pavão Dourado...

Ploy

Da casa

Quando Solano saiu por fim ela ficou observando como a casa ficava sem brilho sem a presença dele...
A porta de entrada parecia menor e mais estreita, será que dimunuíra? As janelas pareciam recusar a entrada do ar... De repente toda a casa rangia morosa ... deixada assim como um vagar...  
A cama ficava vazia, fria, sem graça... A cadeira ao lado da cama mais parecia um aleijão, caída pra um lado... O guarda roupa parecia magro e triste e todo o quarto era uma solidão só... 
Os copos de vidro perderam o viço, ficaram pálidos, doentes... Os pratos e os talheres estavam desgostosos... nem sabor mais não sentiam. 
O fogão ficou paradão, daquele jeito dele, um velho fogão parado. A geladeira velha gritava a falta de Solano de tempos em tempos com uns gritos assustadores. O guarda louça parecia enjoado, como se fosse vomitar todo o seu conteúdo a qualquer momento. 
Tudo naquela casa perdeu a calma... 
Só mesmo Amália ficou pasmando a ausência daquele homem grande, de palavras macias... 
Era a primeira vez que ficava com a casa assim toda pra ela. E era assustador. Mais tinha vontade de correr que de ficar... mas nem coragem não tinha, um saber que havia uma necessidade de fugir daquilo tudo, mas o corpo não acompanhava nada... Olhos abertos sem piscar, quase babava observando...
Amália junto com toda a casa estava por cair e se despedaçar... por uma ausência. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2011


Do presente

Amália sentiu seu sorriso esmaecido e tanto amara que agora sobrou em seu rosto um restinho de felicidade que a gente usa para continuar vivendo. Todo o desejo amansara e ela já não sabia o que querer da vida.
Ali quietinha olhando o sol morrer. Ela sabia que seu sol já era outro, mas não podia esperar de si somente isto, um constante partir. Porque parecia que mal chegara.
Ela sempre tão silenciosa, parecia gritar por dentro. Assustou Solano.
Ele sempre assim tão sensato, de um amor meigo e solene, um sabor de maturidade. Enlouqueceu com as mudanças daquela mulher tão breve... intensamente doce. E mesmo já um senhor, que vivera tantos anos ao lado de uma mesma mulher: que amara com a calma dos anos. Agora sentia uma urgência em agradá-la. Parecia já saber que ela partiria a qualquer momento e temeu.
As laranjas ficaram esquecidas no pé, o homem saiu de si, com um medo maior que si mesmo. Entender a vida e vivê-la sem Amália? Seguiu o canto de um passarinho que já ia longe... Disse logo cedinho num dia.
- Amália, minha flor?
Um olhar melancólico respondeu.
- Vou indo na cidade e te trago um presente. Quer alguma coisa especial?
- Somente que volte logo...
Num sismar de tristeza e alegria Solano partiu sem certeza de que a encontraria ao voltar, mas mesmo que não a encontrasse já sentia um alívio, não sabia bem porque.
Era um momento ímpar, ele não sabia bem o que fazer e ia fazendo impelido pelo medo da ausência e se desconhecia em cada gesto, sendo levado por um rio caudaloso denso, mas calmo e atraente. Sabia de várias coisas da vida, e entendia ter se enganado ao pensar que de Amália ele também sabia... Não sabia, não...

Danieli de Castro