Sou eu

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Descobrindo meus ângulos, meus brihos internos...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Incenso fosse música

só mais uma vez heheheh

Havia lido pouca coisa do Leminski e outro dia passei na biblioteca e peguei o livro do cara, julgando ser o menos pior na escassez de volumes existentes no local.
Fui lendo e ficando grudada em cada um dos poemas por um tempo considerável. O cara consegue ser sarcástico, irônico, cômico, lírico, crítico e leminski sem perder o rebolado!
E tem também as questões enigmáticas, morreu aos 44 anos de hepatite etílica, mesma idade e patologia do Pessoa - o melhor portuga antes do Saramago kkkkkkkkkkk- e publicou no ano do meu nascimento o livro Distraído venceremos e acabei acreditando que isto tem um paralelo real com a minha vida, está explicada a minha recorrente distração!

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Tudo isto para dizer que o Leminski é o Leminski!

Paulo Leminski: O samurai malandro.

uma carta uma brasa através
por dentro do texto
nuvem cheia da minha chuva
cruza o deserto por mim
a montanha caminha
o mar entre os dois
uma sílaba um soluço
um sim um não um ai
sinais dizendo nós
quando não estamos mais

Paulo Leminski

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Não haverá vencedores


Eles estão com armas nas mãos e as cabeças vazias. Não defendem ideologia. Não disputam o Estado. Não há sequer expectativa de vida. Só conhecem a barbárie. A maioria não concluiu o ensino fundamental e sabe que vai morrer ou ser presa. As imagens aéreas na TV, em tempo real, são terríveis: exibem pessoas que tanto podem matar como se tornar cadáveres a qualquer hora. A cena ocorre após a chegada das forças policiais do Estado à Vila Cruzeiro e ao Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro.Dezenas de jovens pobres, negros, armados de fuzis, marcham em fuga, pelo meio do mato. Não se trata de uma marcha revolucionária, como a cena poderia sugerir em outro tempo e lugar.
O ideal seria uma rendição, mas isso é difícil de acontecer. O risco de um banho de sangue, sim, é real, porque prevalece na segurança pública a lógica da guerra. O Estado cumpre, assim, o seu papel tradicional. Mas, ao final, não costuma haver vencedores.
Esse modelo de enfrentamento não parece eficaz. Prova disso é que, não faz tanto tempo assim, nesta mesma gestão do governo estadual, em 2007, no próprio Complexo do Alemão, a polícia entrou e matou 19. E eis que, agora, a polícia vê a necessidade de entrar na mesma favela de novo.
Tem sido assim no Brasil há tempos. Essa lógica da guerra prevalece no Brasil desde Canudos. E nunca proporcionou segurança de fato. Novas crises virão. E novas mortes. Até quando? Não vai ser um Dia D como esse agora anunciado que vai garantir a paz. Essa analogia à data histórica da 2ª Guerra Mundial não passa de fraude midiática.
Essa crise se explica, em parte, por uma concepção do papel da polícia que envolve o confronto armado com os bandos do varejo das drogas. Isso nunca vai acabar com o tráfico. Este existe em todo lugar, no mundo inteiro. E quem leva drogas e armas às favelas?
É preciso patrulhar a baía de Guanabara, portos, fronteiras, aeroportos clandestinos. O lucrativo negócio das armas e drogas é máfia internacional. Ingenuidade acreditar que confrontos armados nas favelas podem acabar com o crime organizado. Ter a polícia que mais mata e que mais morre no mundo não resolve.
Falta vontade política para valorizar e preparar os policiais para enfrentar o crime onde o crime se organiza - onde há poder e dinheiro. E, na origem da crise, há ainda a desigualdade. É a miséria que se apresenta como pano de fundo no zoom das câmeras de TV. Mas são os homens armados em fuga e o aparato bélico do Estado os protagonistas do impressionante espetáculo, em narrativa estruturada pelo viés maniqueísta da eterna "guerra" entre o bem e o mal.
Como o "inimigo" mora na favela, são seus moradores que sofrem os efeitos colaterais da "guerra", enquanto a crise parece não afetar tanto assim a vida na zona sul, onde a ação da polícia se traduziu no aumento do policiamento preventivo. A violência é desigual.
É preciso construir mais do que só a solução tópica de uma crise episódica. Nem nas UPPs se providenciou ainda algo além da ação policial. Falta saúde, creche, escola, assistência social, lazer.
O poder público não recolhe o lixo nas áreas em que a polícia é instrumento de apartheid. Pode parecer repetitivo, mas é isso: uma solução para a segurança pública terá de passar pela garantia dos direitos básicos dos cidadãos da favela.
Da população das favelas, 99% são pessoas honestas que saem todo dia para trabalhar na fábrica, na rua, na nossa casa, para produzir trabalho, arte e vida. E essa gente - com as suas comunidades tornadas em praças de "guerra" - não consegue exercer sequer o direito de dormir em paz.
Quem dera houvesse, como nas favelas, só 1% de criminosos nos parlamentos e no Judiciário.

artigo de Marcelo Freixo

domingo, 28 de novembro de 2010

Lua Nova barzinho no Bexiga

28-11-2010

Acordei lembrando que hoje seria o aniversário do seu Rocha...

Arrumações e indecisões no café da manhã.

Ela ligou e aí ficou com aquela maneira de estar distante.

Fomos nos encaminhando debaixo do sol!!!

Vila Nova Cachoeirinha:

Eita galera bunitttttttaaaaaaaaaaaaaa!!!

Otto: Muito bom!!

"A gente acende, aperta, acocha, beija
A nega a noite inteira (negro a rodar)
A gente aperta, acende, acocha, beija
A nega a noite inteira (negro a rodar)"

Leve salto no inconsciente e lá estávamos novamente

NAÇÃO ZUMBI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

dO CARALHO!!! Muito bom, perfeito, sublime não! Transcendental!

"Andando por entre os becos
Andando em coletivos
Ninguém foge ao cheiro sujo
Da lama da Manguetown

Fui no mangue catar lixo
Pegar caranguejo, conversar com urubu"

Ela foi embora... tudo bem.

Ela ficou e regamos memórias com refrigerante gelado.

- Você é muito bonita!
- Você é linda até dormindo!
- Você é geminiana?
- Você torce para que time?
Uns olhos azuis me fitando...

Tchau.

E acabou.




Ciranda de Maluco - Otto

Ciranda de maluco aqui de pernambuco
É bom demais
Ciranda de maluco aqui em pernambuco
É bom demais

A gente acende, aperta, acocha, beija
A nega a noite inteira (negro a rodar)
A gente aperta, acende, acocha, beija
A nega a noite inteira (negro a rodar)

Roda mundo, negro a rodar
Roda mundo, negro a rodar
Roda mundo, negro a rodar
Roda mundo, negro a rodar

sábado, 27 de novembro de 2010

Por que é proibido pisar na grama - Jorge Ben Jor

Acordei com uma vontade de saber como eu ia
E como ia meu mundo
Descobri que além de ser um anjo eu tenho cinco inimigos
Preciso de uma casa para minha velhice
Porém preciso de dinheiro pra fazer investimentos
Preciso às vezes ser durão
Pois eu sou muito sentimental meu amor
Preciso falar com alguém que precise de alguém
Prá falar também
Preciso mandar um cartão postal para o exterior
Prá meu amigo Big Joney
Preciso falar com aquela menina de rosa
Pois preciso de inspiração
Preciso ver uma vitória do meu time
Se for possível vê-lo campeão
Preciso ter fé em Deus
E me cuidar e olhar minha família
Preciso de carinho pois eu quero ser compreendido
Preciso saber que dia e hora ela passa por aqui
E se ela ainda gosta de mim
Preciso saber urgentemente
Porque é proibido pisar na grama

De uma noite dessas

Sol se pondo no horizonte
aquela luz quente e longínqua

De peito aberto
sorriso cor cerveja
imensidão desejos lábios
noite adentro e aqueles dedos...

saliva nos lábios
língua contra os dentes
era uma vez um abraço...

e roupas sofá gatos
e beijos olhos brilhando
uma paixão...

bebendo devagar
saboreando lentamente
noite adentro e aqueles dedos...

Danieli de Castro


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Onde vivem os monstros

Amassadoramente

Como um sorriso amarfanhado
descalço
caminhou pela sala escura
ouvindo um som distante

algo balançando o seu estômago
quase um tamborim
lá dentro...

pensou em correr
vomitar
gritar

dormiu babando
um gosto ácido:

um sentimento estranho.

Danieli de Castro

sábado, 13 de novembro de 2010

Mysterious Skin


Amor Cristão

Amor é mordida de um cachorro pitbull que levou a coxa da Laurinha e a bochecha do Felipe. Amor que não larga. Na raça. Amor que pesa uma tonelada. Amor que deixa. Como todo grande amor. A sua marca.

Amor é tiro que deram no peito do filho da dona Madalena. E o peito do menino ficou parecendo uma flor. Até a polícia chegar e levar tudo embora. Demorou. Amor que mata. Amor que não tem pena.

Amor é você esconder a arma em um buquê de rosas. E oferecer ao primeiro que aparecer. De carro importado. De vidro fumê. Nada de beijo. Amor é dar um tiro no ente querido se ele tentar correr.

Amor é o bife acebolado que a minha mulher fez para aquele pentelho comer. Filhinho de papai lá no cativeiro. Por mim ele morria seco. Mas sabe como é. Coração de mãe não gosta de ver ninguém sofrer.

Amor é o que passa na televisão. Bomba no Iraque. Discussão de reconstrução. Pois é. Só o amor constrói. Edifícios. Condomínios fechados. E bancos. O amor invade. O amor é também o nosso plano de ocupação.

Amor que liberta. Meu irmão. Amor que sobe. Desce o morro. Amor que toma a praça. Amor que de repente nos assalta. Sem explicação.

Amor salvador. Cristo mesmo quem nos ensinou. Se não houver sangue. Meu filho. Não é amor.



Marcelino Freire

Rasif Mar que arrebenta

No me Jas mim

Cobrindo os olhos com as mãos
- acorda!

O homem deitado ao lado de uma mulher
sem nome
sem rosto
sem origem

O homem dos cabelos marejados de cores
olhos sem luz
lábios sem beijo
uma velhice baça

O homem deitado ao lado da mulher
o homem de cabelos tingidos de murchos
beijos olhou-me nos olhos com medo
e com um gesto da mão enrugada

- Vá embora...
sem forças
sem amor
nem desejo

o homem sem jasmim
a mulher sem nome.

viviam depois dos trilhos do trem
pela janela de tábua molhada
foi pela janela

pela janela...

Danieli de Castro

Na pressão - Lenine

Olho na pressão, tá fervendo
Olho na panela
Dinamite é o feijão cozinhando
Dentro do molho dela
A bruxa acendeu o fogo
Se liga, rapaziada
Tem mandinga de caboclo
Mandando nessa parada
Garrafada de serpente
Despacho de cachoeira
Quanto mais o fogo sobe
Mais a panela cheira
Olho na pressão, tá fervendo
Olho na panela
Dinamite é o feijão cozinhando
Dentro do molho dela
A bruxa mexeu o caldo
Se liga aí, ô galera
Tá pingando na mistura
Saliva da besta-fera
Chacina no centro-oeste
E guerrilha na fronteira
Emboscada na avenida
Tiro e queda na ladeira
Mas feitiço é bumerangue
Perseguindo a feiticeira

Ah, é?


Murmureo

Dê uma olhada ao redor, o que te parece?

Este espetáculo é sem direção, quisera ela ser novamente a deusa de todos, suar com eles o seu gozo quente, tremer e sorrir uma nova medida dionisíaca, mas... quer ser o bichinho de alguém, dócil e cativo, olhos baços, falta de luz... monocromática, asmática, intersolitária...

Não! Não me deixam escolher - o nunca e o sempre estão fora! - ser macho ou fêmea urrar ou gemer: aquela dança é num terreiro aonde a roda gira ao contrário e não a deixam - não me deixam! - entrar com movimentos histéricos, esquizofrênicos de estertores e palavras errantes, escalavradas: é uma mentira!



Olhe para mim! Olhe bem pra mim!

Não sou teu sonho, menos ainda teu alento, escute enquanto ainda é tempo, a agonia desta previsão!



Faz frio lá fora... eu quis te dar meu mundo, lindo cheio de cores, de desenhos bonitinhos, feitos para te divertir... eu quis contar todas as histórias boas, de lindos e lindas moças... Virando as costas se foi o filho do puto que o esguichou dentro do canal obscuro e inocente, prestável à natureza da procriação, um ventre receptivo, entretanto é ela quem nunca sente!?
amargo.



Danieli de Castro

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Bishonen


Vem

Era ainda uma menina
e só sabia de concreto mesmo
dizer:
-Vem...

Achavam-na perdida no tempo
um pouco louca talvez
é que toda a sua lucidez
era só alegria

e

seu corpo uma festa
sempre dela para os outros

era uma indignação.
Quase uma Geni...

Um carinho novo a cada toque
e ela dizia- olhos voltados para si mesma:

-Vem...

Danieli de Castro

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Leveza


Wilson Simonal e a noite boa no Lapeju

Ahahahahahaha!
-"Vamos voltar a pilantragem.
Xá comigo, uma musiquinha
Prá machucar os corações"

Nem Vem Que Não Tem
Nem vem de garfo
Que hoje é dia de sopa
Esquenta o ferro
Passa a minha roupa
Eu nesse embalo
Vou botar prá quebrar
Sacudim, sacundá
Sacundim, gundim, gundá!...

Nem Vem Que Não Tem
Nem vem de escada
Que o incêndio é no porão
Tira o tamanco
Tem sinteco no chão
Eu nesse embalo
Vou botar prá quebrar
Sacudim, sacundá
Sacundim, gundim, gundá!...

Nem Vem!
Numa casa de caboclo
Já disseram um é pouco
Dois é bom, três é demais
Nem Vem!
Guarda teu lugar na fila
Todo homem que vacila
A mulher passa prá trás...

Nem Vem Que Não Tem
Prá virar cinza
Minha brasa demora
Michô meu papo
Mas já vamos'imbora
Eu nesse embalo
Vou botar prá quebrar
Sacudim, sacundá
Sacundim, gundim, gundá!...

Nem Vem!
Numa casa de caboclo
Já disseram um é pouco
Dois é bom, três é demais
Nem Vem!
Guarda teu lugar na fila
Todo homem que vacila
A mulher passa prá trás...

Nem Vem Que Não Tem!

"nem vem que não tem"


Uma nova na minha vida! Fui identificada como o vírus na vida de um casal que se ama a distância...

Eu fico na minha casa curtindo minhas neuras e crises e uma pessoa me aponta o dedo dizendo que eu sou o problema na vida dela.

Do raso alto dos meus 23 anos isto sim é uma coisa inédita!

Ainda bem que ando centrada, senão até acreditava! kkkkkkkkkkk