Sou eu
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Creio no homem solitário
Creio no homem solitário,
naquele que solitário vai caminhando
que não corre, como um cão, para o seu faro,
que não foge, como um lobo, ao faro do homem:
Ao mesmo tempo homem e anti-homem
E como conseguir que assim se harmonize?
Foge dos caminhos mais altos e dos mais aparentes!
Aquilo que é rebanho nos outros é-o também em ti.
Vai pelos caminhos mais baixos e íntimos:
Aquilo que é fundo em ti é-o também nos outros.
É difícil habituar-se a si próprio.
Difícil é desabituar-se de si próprio.
Aquele que o consegue, contudo, nunca será abandonado.
Aquele que o consegue, contudo, sempre ficará solidário.
O não prático é a única coisa prática
com duração.
Gunnar Ekelöf
In Färjesang
Trad. de SILVA DUARTE, publicada em Cinco Poetas Suecos: antologia
em versão direta de Silva Duarte. Lisboa: Casa Portuguesa, 1966. p. 67
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É você - Tribalistas
É você
Só você
Que na vida vai comigo agora
Nós dois na floresta e no salão
Nada mais
Deita no meu peito e me devora
Na vida só resta seguir
Um risco, um passo, um gesto rio afora
É você
Só você
Que invadiu o centro do espelho
Nós dois na biblioteca e no saguão
Ninguém mais
Deita no meu leito e se demora
Na vida só resta seguir
Um risco, um passo, um gesto rio afora
Na vida só resta seguir
Um ritmo, um pacto e o resto rio afora
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terça-feira, 28 de setembro de 2010
da Laranja lima
O dia lentamente ia cumprindo suas horas, com aquela paciência de escutar passarinho cantando de manhã e ver o vento batendo na face das folhas d´árvore.
Solano se sentou na porta de sua velha casa, e descascava uma laranja lima quando ouviu ao longe alguns passos.
Logo surgiu um casal um tanto estranho. Ele com uma cara de louco, todo despenteado. Ela com uma beleza velha, um asseio mal feito, mas ainda bela. Levavam poucas coisas nas costas, uma bolsa velha escangalhada e rota.
-O senhor pode arranjar um pouco de água.
-É um instantinho.
O homem se levantou de seu descanso, sem contrariedade. Ernesto pensou que ele era forte e que deveria ter mais idade do que aparentava. Amália pensou com o sentimento tantas coisas costuradas que chegavam a uma irracionalidade extrema. E nesta noite sonhou que chupava laranja com um desejo sem fim, quanto mais bebia da fruta mais ainda a desejava...
DANIELI DE CASTRO
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Poeta Danieli de Castro
sábado, 25 de setembro de 2010
The key - Jackson Pollock
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Rarefeita
Sofrendo as súplicas
de um desejo insuportável
deixou-se ali naquela
tarde letárgica
Abrupta e silenciosa
emaranhando dúvida e desejo
era um rosnar estranho
sufocado...
uma volúpia gordurosa
que a entregava num vagar...
remexendo uma dor naquele
corpo eixo amplo descortinado
era um suplício.
um ardor sem paixão.
somente o sopro de algo que já foi...
DANIELI DE CASTRO
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Poeta Danieli de Castro
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
"Cumprindo uma coragem"
Ela baixou os olhos
sentindo falta de uma parte...
uma parte...
de si.
desceu as escadas lentamente
sentindo o peso
e o aperto na garganta...
secou o chão de
algumas lágrimas
atrapalhando o asseio doméstico...
sentindo que não era fácil.
DANIELI DE CASTRO
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Poeta Danieli de Castro
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Aos namorados
O Impossível carinho
Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
Eu te pudesse repor
- Eu soubesse repor -
No coração despedaçado
As mais puras alegrias de tua infância!
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
Eu te pudesse repor
- Eu soubesse repor -
No coração despedaçado
As mais puras alegrias de tua infância!
Manu Bandeira
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À minha triste amiga...
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Carinho Triste
A tua boca ingênua e triste
E voluptuosa, que eu saberia fazer
Sorrir em meio dos pesares e chorar em meio das alegrias,
A tua boca ingênua e triste
É dele quando ele bem quer.
Os teus seios miraculosos,
Que amamentaram sem perder
O precário frescor da pubescência,
Teus seios, que são como os seios intactos das virgens,
São dele quando ele bem quer.
O teu claro ventre,
Onde como no ventre da terra ouço bater
O mistério de novas vidas e de novos pensamentos,
Teu ventre, cujo contorno tem a pureza da linha de mar e
[céu ao pôr do sol,
É dele quando ele bem quer.
Só não é dele a tua tristeza.
Tristeza dos que perderam o gosto de viver.
Dos que a vida traiu impiedosamente.
Tristeza de criança que se deve afagar e acalentar.
(A minha tristeza também!...)
Só não é dele a tua tristeza, ó minha triste amiga!
Porque ele não a quer.
E voluptuosa, que eu saberia fazer
Sorrir em meio dos pesares e chorar em meio das alegrias,
A tua boca ingênua e triste
É dele quando ele bem quer.
Os teus seios miraculosos,
Que amamentaram sem perder
O precário frescor da pubescência,
Teus seios, que são como os seios intactos das virgens,
São dele quando ele bem quer.
O teu claro ventre,
Onde como no ventre da terra ouço bater
O mistério de novas vidas e de novos pensamentos,
Teu ventre, cujo contorno tem a pureza da linha de mar e
[céu ao pôr do sol,
É dele quando ele bem quer.
Só não é dele a tua tristeza.
Tristeza dos que perderam o gosto de viver.
Dos que a vida traiu impiedosamente.
Tristeza de criança que se deve afagar e acalentar.
(A minha tristeza também!...)
Só não é dele a tua tristeza, ó minha triste amiga!
Porque ele não a quer.
Manu Bandeira
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010
pairando numa esperança
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Inspiração- Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede
Arranca o couro cabeludo
Arranca caspa, arranca tudo
Deixa entrar sol nesse porão
Em qualquer dia por acaso
Desfaz-se o nó, rompe-se o vaso
E surge a luz da inspiração
Deixa seus anjos e demônios
Tudo está mesmo é nos neurônios
Num jeito interno de pressão
Talvez se possa, como ajuda
Ter uma amante manteúda
Ou um animal de estimação
Pega a palavra, pega e come
Não interessa se algum nome
Possa te dar indigestão
O que se conta e se aproveita
É se a linguagem já vem feita
Com sua chave e seu chavão
A porta se abre é de repente
Como se no ermo do presente
Se ouvisse a voz da multidão
E o que tem força, o que acontece
É como um dia que estivesse
Sem calendário ou previsão
Fica de espera, de tocaia
Talvez um dia a casa caia
E ficque tudo ao rés-do-chão
Fica a fumaça no cachimbo
Fica a semente no limão
Fica o poema no seu limbo
E na palavra um palavrão
Arranca caspa, arranca tudo
Deixa entrar sol nesse porão
Em qualquer dia por acaso
Desfaz-se o nó, rompe-se o vaso
E surge a luz da inspiração
Deixa seus anjos e demônios
Tudo está mesmo é nos neurônios
Num jeito interno de pressão
Talvez se possa, como ajuda
Ter uma amante manteúda
Ou um animal de estimação
Pega a palavra, pega e come
Não interessa se algum nome
Possa te dar indigestão
O que se conta e se aproveita
É se a linguagem já vem feita
Com sua chave e seu chavão
A porta se abre é de repente
Como se no ermo do presente
Se ouvisse a voz da multidão
E o que tem força, o que acontece
É como um dia que estivesse
Sem calendário ou previsão
Fica de espera, de tocaia
Talvez um dia a casa caia
E ficque tudo ao rés-do-chão
Fica a fumaça no cachimbo
Fica a semente no limão
Fica o poema no seu limbo
E na palavra um palavrão
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quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Videodança
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Laboratório
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Ea a visat a auzului
Dragoste
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Verde Musgo
Ninguém sabe, mas Verde Musgo é um termo que carrega muitos significados.
Verde Musgo é uma tarde solitária num Parque cheio de pessoas que não falam romeno , entretanto todas as indicações são nesta língua, parece que todo mundo está perdido para sempre.
É meio Verde Musgo continuar lendo O Mágico de Oz ou atender ao telefone aquela insistente vendedora, enquanto uma linda garotinha negra, chamada Ingrid puxa insistentemente a blusa da gente, perguntando : - "Mas, por que a água está tão suja?"
Não existe no mundo nada mais Verde Musgo do que andar por horas a fio, sem saber realmente aonde se quer chegar, pensando sem trégua num romance que nunca existiu, mas você gostaria de ter lido, ou de tê-lo vivido.
É Verde Musgo não conseguir expressar somente com o olhar toda a tristeza que se carrega contra a própria vontade. Se ao menos fosse possível que alguém pudesse ouvir nosso apelo... talvez um abraço tornasse isto um pouco menos Verde Musgo. Contudo, dá-se muito maior importância ao estado físico, gordo magro atlético, do que ao estado emocional em que estamos.
Houve um momento, e todos sabemos, em que nos disseram: "Tudo bem, vamos ajeitar tudo isto. Seremos felizes. Você vai ver!" Quando não temos nada melhor para acreditar... Paciência. Com resignação aceita-se todos os dias o Verde Musgo imposto, descendo pela garganta com dificuldade. Todavia, somente no Verde Musgo é que podemos enfim mudar de rumo. E aí então vermos outras cores.
Adeus Verde Musgo. Existe um azul celeste misturado com um amarelo ouro nos esperando bem ali. E se o Verde Musgo voltar, não tem problema, podemos confundi-lo com a cor das árvores no escuro em que nos metemos e sonhar com cores novas.
Tratado sobre o Verde Musgo por
Danieli de Castro
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quinta-feira, 9 de setembro de 2010
De ternuras e desejos - fragmentos
A minha vontade está submersa, mas viva.
Parece fora da realidade.
Não se encontra,
é inconformada e estúpida, mas contida.
expectadora dela mesma,
nem boa, nem ruim, nem feliz, nem triste, é assim...
É uma vontade do que não aconteceu...
Num passado que ainda é presente
sinto vontade do que não aconteceu
o que poderia ser muito
virou quase nada
Algo está no ar
Meu sentimento é aparente
está nos traços do meu rosto,
no olhar e no não olhar,
na postura, no sentar,
nas mãos que gesticulam,
não se esconde,
quer, mas não consegue,
é sincero, exageradamente sincero.
[...]
Por que não?
Alguém saberia responder a contento?
Seria tão simples e encantador
que as pessoas pudessem se encontrar mais vezes
não um encontro qualquer
Mas aqueles em que um beijo parece um respirar
de tão necessário.
[...]
Se encontro prazer em te ver?
Sim, aquele prazer terno de estar ao lado simplesmente
do olhar que vê além
do apenas sentir sua presença
Mesmo sem entender coisas
do falar, do ouvir sua voz
do te ver passar as mãos no cabelo atrapalhado
de sublimar com o toque num abraço do chegar e ir embora
do respirar profundo
a sua ausência me faz te querer perto, tão perto para poder sentir seu
cheiro, perto do quase afago
feito satisfação, isto é amor? Que seja, chame do que quiser.
Parece fora da realidade.
Não se encontra,
é inconformada e estúpida, mas contida.
expectadora dela mesma,
nem boa, nem ruim, nem feliz, nem triste, é assim...
É uma vontade do que não aconteceu...
Num passado que ainda é presente
sinto vontade do que não aconteceu
o que poderia ser muito
virou quase nada
Algo está no ar
Meu sentimento é aparente
está nos traços do meu rosto,
no olhar e no não olhar,
na postura, no sentar,
nas mãos que gesticulam,
não se esconde,
quer, mas não consegue,
é sincero, exageradamente sincero.
[...]
Por que não?
Alguém saberia responder a contento?
Seria tão simples e encantador
que as pessoas pudessem se encontrar mais vezes
não um encontro qualquer
Mas aqueles em que um beijo parece um respirar
de tão necessário.
[...]
Se encontro prazer em te ver?
Sim, aquele prazer terno de estar ao lado simplesmente
do olhar que vê além
do apenas sentir sua presença
Mesmo sem entender coisas
do falar, do ouvir sua voz
do te ver passar as mãos no cabelo atrapalhado
de sublimar com o toque num abraço do chegar e ir embora
do respirar profundo
a sua ausência me faz te querer perto, tão perto para poder sentir seu
cheiro, perto do quase afago
feito satisfação, isto é amor? Que seja, chame do que quiser.
[...]
Soraia Soriano
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