Sou eu

Minha foto
Descobrindo meus ângulos, meus brihos internos...

segunda-feira, 31 de maio de 2010


Sibá e a Fuloresta - Vale do Jucá

Era um caminho
quase sem pegadas
onde tantas madrugadas
folhas serenaram
era uma estrada
muitas curvas tortas
quantas passagens e portas
ali se ocultaram
era uma linha
sem começo e fim
e as flores desse jardim
meus avós plantaram
era uma voz
um vento, um sussurro
relâmpago, trovão e murro
luz que se lembraram
uma palavra quase sem sentido
um tapa no pé do ouvido
todos escutaram
um grito,
um odo
perguntando aonde
nossa lembrança se esconde
meus avós gritaram.

Era uma dança
quase uma miragem
cada gesto
uma imagem
dos que se encantaram
um movimento
um traquejo forte
passado, risco e recorte
se descortinaram
uma semente no meio da poeira
chã da lavoura primeira
meus avós dançaram
uma pancada
um ronco, um estralo
e outros pés e um cavalo
guerreiros brincaram
quase uma queda
quase uma descida
uma seta remetida
as mãos se apertaram
era uma festa
chegada e partida
saudações e despedida
meus avós choraram.

Onde estará
aquele passo tonto
e as armas para o confronto
onde se ocultaram
e o lampejo da luz estupenda
que atravessou a fenda
e tantos enxergaram
ah! se eu pudesse
só por um segundo
rever os portões do mundo
que os avós criaram.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

hum...

Puxa... é muito difícil ser eu em alguns momentos. Principalmente quando sou interpelada por algumas perguntas diretas. E agora, como responder?
ai...
heheheheh
um desabafo, apenas.

terça-feira, 25 de maio de 2010


O tempo dos geminianos

É que o tempo está leve...

sorrir é mais fácil

viver mais intenso

cantar mais gostoso

e o vento no rosto traz

uma deliciosa sensação ...

como um afago, um beijo...

Você sente?

DANIELI DE CASTRO

quarta-feira, 19 de maio de 2010


Por que - Otto

Por que você me quer assim
Triste traiçoeiro
Se eu posso dividir meu corpo e meu amor
Pra que ficar assim desesperada
Se ele falou que não lhe quer
Até de manhã
Vou esquentar os pães
Teus dedos
Até de manhã
Vou esquentar os pães
Teus dedos

Por que você me quer assim
Triste traiçoeiro
Se eu posso dividir meu corpo e meu amor
Pra que ficar assim desesperada
Se ele falou que não lhe quer
Até de manhã
Vou esquentar os pães
Teus dedos

Até de manhã
Vou esquentar os pães
Teus dedos
Na vida tenho muito que dançar
Para aguentar o peso
Pra parar de pensar no erro
Por que você não quer
Ficar tranquila um pouco
Seu rosto é mais bonito rindo

Pra que ficar assim desesperada
Se ele falou que não lhe quer
Até de manhã
Vou esquentar os pães
Teus dedos
Até de manhã
Vou esquentar os pães
Teus dedos

Por que você me quer assim
Triste traiçoeiro

Poesiar

Poesia a lápis é algo
intensamente profano
porque apagar poesia
não é cristão

fazer poesia não é
cristão.

A poesia é o espírito
em si. Não carece de
nomes, rezas, deuses

se vale a si mesma
como deusa, altar
ritual, cântico

e vale a mim
não só como religião
mas sopro de vida:

a poesia é a minha alma.

DANIELI DE CASTRO

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Juntos?


Ah, por favor ou A impaciência com Tipos Genitais ou A falta de sensibilidade ou Qualquer coisa que não seja isto!

fazer sexo é algo
inexplicável para a filosofia

porque se alguém consegue
explicar racionalmente
ele perde sua validade sensitiva

enquanto ato.

A grande questão é
que tanta gente procura por sexo
e pouca gente se especializa
não no assunto, no ato...

Nossa sociedade nos ensina
a não tocarmos em nosso genital,
porque é feio...

Em contrapartida somos
genitalizados!

Vai entender!

Ninguém faz amor,
porque amor é um sentimento, não um ato.

Sente-se amor
Faz-se sexo
mas deveria sentir-se o sexo, porque é um ato que envolve
duas pessoas...
ao invés de seguir sempre a tabela

um pênis dentro de uma vagina= sexo!

lamentável...

Não há poesia nos versos
não há sexo...

somente genitais
somente palavras

sem a magia poética.

DANIELI DE CASTRO

Façamos (Vamos amar)

Composição: Cole Porter, versão de Carlos Rennó
voz: Chico Buarque e Elza Soares

Os cidadãos no Japão fazem
Lá na China um bilhão fazem
Façamos, vamos amar

Os espanhóis, os lapões fazem
Lituanos e letões fazem
Façamos, vamos amar

Os alemães em Berlim fazem
E também lá em Bonn
Em Bombaim fazem
Os hindus acham bom

Nisseis, níqueis e sansseis fazem
Lá em São Francisco muitos gays fazem
Façamos, vamos amar

Os rouxinóis nos saraus fazem
Picantes pica-paus fazem
Façamos, vamos amar

Uirapurus no Pará fazem
Tico-ticos no fubá fazem
Façamos, vamos amar

Chinfrins, galinhas afim fazem
E jamais dizem não
Corujas sim fazem, sábias como elas são

Muitos perus todos nus fazem
Gaviões, pavões e urubus fazem
Façamos, vamos amar

Dourados no Solimões fazem
Camarões em Camarões fazem
Façamos, vamos amar

Piranhas só por fazer fazem
Namorados por prazer fazem
Façamos, vamos amar

Peixes elétricos bem fazem
Entre beijos e choques
Cações também fazem
Sem falar nos hadoques

Salmões no sal, em geral, fazem
Bacalhaus no mar em
Portugal fazem
Façamos, vamos amar

Libélulas em bambus fazem
Centopéias sem tabus fazem
Façamos, vamos amar

Os louva-deuses com fé fazem
Dizem que bichos de pé fazem
Façamos, vamos amar

As taturanas também fazem
com um ardor incomum
Grilos meu bem fazem
E sem grilo nenhum

Com seus ferrões os zangões fazem
Pulgas em calcinhas e calções fazem
Façamos, vamos amar

Tamanduás e tatus fazem
Corajosos cangurus fazem
Façamos, vamos amar

(Vem com a mãe)

Coelhos só e tão só fazem
Macaquinhos no cipó fazem
Façamos, vamos amar

Gatinhas com seus gatões fazem
Tantos gritos de ais
Os garanhões fazem
Esses fazem demais

Leões ao léu, sob o céu, fazem
Ursos lambuzando-se no mel fazem
Façamos, vamos amar
Façamos, vamos amar

domingo, 9 de maio de 2010


domingou

Poderia ter sido salva
do domingo chuvoso e frio

depois que a voz do encantamento
silenciou-se

depois que o dia amanheceu
a fumaça subiu no pensamento
e a raiva borbulhou pelas orelhas...

poderia ter sido salva pela
voz sentimental
que silenciou-se
isenta e livre

o domingo continua
frio e chuvoso...

DANIELI DE CASTRO

Raiva é energia Propulsora



Amor de muito - Nação Zumbi

A menina esperava seu homem chegar
E olhava todo dia a linha do mar
Ele só quer escutar o que ela quer dizer
Ela sabe do desejo do seu coração

Aí ela disse: vai querer?

O menino esperava sua mulher chegar
E andava todo dia em cima do mar
Ela só quer escutar o que ele quer dizer
Ele sabe do desejo do seu coração

Aí ele disse: por amor, ou por besteira?

sábado, 8 de maio de 2010


Eu também

Pretendo que a poesia tenha a virtude de, em meio ao sofrimento e o desamparo, acender uma luz qualquer, uma luz que não nos é dada, que não desce dos céus, mas que nasce das mãos e do espírito dos homens.

Ferreira Gullar

sexta-feira, 7 de maio de 2010


POESIA NO AR - Cooperifa- 21/04/2010

A primeira vez que fui à Cooperifa, o bar do Zé Batidão, onde acontecem os saraus às quartas-feiras, era um boteco como qualquer outro, com o diferencial de que era bem aconchegante.
Fiquei fascinada com a organização do pessoal da comunidade e com o teor crítico dos poemas realmente recitados.
Já na segunda visita fiquei decepcionada, porque a cara de boteco havia desaparecido, estava maior, com uma placa enorme com o nome Cooperifa escrito em mosaico. Não que a mudança fosse ruim, é que ficava nítido que já não tinha o mesmo espírito inicial...
E além disso havia um pessoal diferente da galera da comunidade, que falavam em tons de tela ao invés de falar do negro e da periferia. Nada contra obras de arte, mas a preocupação da periferia está longe de telas e tons, o que quero dizer é que outras vozes falavam na comunidade.
Fiquei um pouco desanimada, mas como a poesia é uma veia grossa que pulsa dentro de mim... voltei mais algumas vezes ao local.
Na última quarta-feira, a convite de minha amiga sergipana fomos juntas para o Sarau da Cooperifa.
Nós duas estávamos em pontos diferentes da cidade, mas igualmente distantes, pegamos dois ônibus e chegamos praticamente ao mesmo tempo.
Logo descobrimos que aquele era um dia especial: DIA DA POESIA NO AR!
O pessoal enche vários balões brancos, com o logo da cooperifa em preto e nos são entregues uma folha e um envelope plástico para escrevermos um texto que ficará dentro do saquinho preso por um barbante no balão, então soltamos no ar, com o fito de alguém encontre este texto e o leia.
O sarau teve início e embora eu tivesse colocado o nome na lista de espera para recitar um poema do Manoel de Barros, não pude ler, porque a lista não é sequencial, os mais velhos no projeto têm prioridade na leitura. Tudo bem...
Os preços. Um refrigerante de 600 ml custa QUATRO REAIS. As camisetas com o logo da Cooperifa de VINTE E CINCO a TRINTA REAIS. Na minha opinião, não é um preço acessível à comunidade periférica, mas central.
Muitos moradores da região, não sabem onde fica o Bar do Zé Batidão, nem o que ocorre lá.
Foi emocionante soltar o balão com um texto... fiquei profundamente emocionada, foi linda a imagem dos balões brancos subindo ao céu no meio da noite, uma energia coletiva...
O que me intriga somente é que o espaço da classe dominante não é ocupado pela periferia, a não ser para o "trabalho", mas a periferia está a cada dia mais sendo ocupada pela classe dominante, que provavelmente deve achar alternativo e cult ir pra periferia ler poema...
Se o espaço deles não pode ser partilhado com a periferia, e se a periferia é ocupada por eles, onde está a voz, a vez e o espaço real da periferia?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

não...


Sacolejo

um não
remexido
revolvido

um cuspe na testa
uma humilhação
um vexame

lábios cerrados
palavras duras
sim violento

desgaste.

Danieli de Castro